Ouvido - Otite Média com Efusão

Em crianças, o quadro pode ser assintomático. Pode haver perda auditiva condutiva, que é normalmente percebida pelos pais ou professores, podendo ser o único sintoma.

Nestas crianças constatou-se maior dificuldade de aprendizado, principalmente na leitura, nos dois primeiros anos da escola. Pode haver ainda otalgia.

Freqüentemente há história de IVAS (Infecções das Vias Aéreas Superiores) recorrentes podendo haver OMAR (Otite Média Aguda de Repetição).

A distinção clínica entre OME (Otite Média com Efusão) e OMA (Otite Média Aguda) é, talvez, o fator mais significante para a escolha terapêutica. Essa distinção é principalmente realizada através do exame otoscópico. Busca-se responder, basicamente, duas questões: existem sinais de líquidos (efusão) na orelha média?

Existem sinais de inflamação aguda?

Na avaliação da membrana timpânica devemos observar a posição (retrações e abaulamentos), mobilidade e cor.
Além do exame otoscópico devemos fazer uma avaliação detalhada da cabeça e pescoço, pois muitas síndromes e anomalias crânio-faciais estão associadas à maior incidência de otite média. Pólipos nasais, desvios septais, massas e tumores de nasofaringe devem ser investigados.

Audiometria:
Em geral observa-se uma perda auditiva condutiva com gap de 25 a 40 dB.

Em OMS (Otite Média Secretora) justifica-se o aparecimento secundário da perda auditiva neurossensorial por:

Altas pressões negativas no interior da orelha média;
Inflexibilidade e rigidez da membrana da janela redonda pela presença da efusão;
Alterações irreversíveis secundárias a inflamações recorrentes agudas ou crônicas, como otite adesiva ou descontinuidade ossicular;
Difusão e propagação da infecção ou de suas toxinas pela membrana da janela redonda até a orelha interna, podendo estar presente fístula perilinfática da janela oval, redonda ou ambas.

Impedanciometria:

A otite média com efusão pode ser associada a um declínio ou ausência de mobilidade da membrana timpânica, caracterizando uma curva tipo B.
O reflexo estapediano está abolido quando existe efusão na orelha média.

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O objetivo do tratamento da OMS (Otite Média Secretora) é reverter o grau de perda auditiva e prevenir a perpetuação das alterações na orelha média, que podem levar ao desenvolvimento da OMC (Otite Média Crônica).


Tratamento clínico: o único tratamento comprovado é antibioticoterapia, os demais ainda não comprovaram eficácia científica.

Tratamento cirúrgico: conforme cada caso inclui miringotomia para colocação de tubo de ventilação e adenoidectomia.

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