Ouvido - Otite Média

A otite média é definida como uma inflamação da orelha média, independente de etiologia ou patogênese específicas.

Importânica

Aproximadamente 2/3 de todas as crianças de um ano de idade terão tido 1 episódio de otite média aguda (OMA).

Aos 7 anos, aproximadamente 90% das crianças terão apresentado um episódio de OMA; 75% terão apresentado 3 ou mais episódios.

O principal pico de incidência de OMA é entre 6 e 11 meses de idade; com um segundo pico entre 4 e 5 anos de idade.

Até 2 anos de idade, tanto OMA quanto Otite Média Secretora (OMS) são bilaterais em sua maioria. Após os 2 anos, a maioria dos episódios de OMA e OMS é unilateral.
O sexo masculino tem maior tendência a desenvolver otite média que o feminino.

Fatores de risco

Crianças institucionalizadas.
Cerca de 60% das crianças escolares com IVAS (Infecções das Vias Aéreas Superiores) evoluem com OMA.
Poluentes ambientais como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de OM (entre eles, a fumaça de cigarro).
Doença do Refluxo Gastroesofágico esteja associada à gênese da OMS em 91% das crianças.

Fator de proteção

O aleitamento materno.

Estágios de Evolução

Hiperemia: Membrana timpânica vermelha e espessada. Pode haver febre e otalgia, nunca intensa nesta fase. Na criança, predomina irritabilidade, inapetência, rejeição à mamadeira e choro continuado. Uma das manifestações freqüentes é o balançar da cabeça e o levar constante das mãos às orelhas, como que querendo arrancá-las.

Exsudação: A MT espessa-se e torna-se abaulada e amarelada, tornando mais marcante a hipoacusia condutiva. A reabsorção dos produtos inflamatórios pela mucosa da orelha média leva a um quadro toxêmico, com febre geralmente alta principalmente em crianças, que podem apresentar também vômitos, diarréia e desidratação.

Supuração: ocorre perfuração da MT, espontaneamente ou por miringotomia, com drenagem copiosa de líquido hemorrágico ou serossanguinolento, que logo torna-se mucopurulento.A otalgia e febre do estágio de exsudação regridem. A perfuração da MT é sempre na pars tensa,sempre pequena, do tamanho suficiente para permitir a saída da secreção. Algumas vezes, a perfuração timpânica permanece, porém costuma apresentar resolução espontânea.

Coalescência: entre 1 e 5% dos pacientes não tratados atingem este estágio. O progressivo espessamento do mucoperiósteo leva a uma obstrução da drenagem da secreção, e o pus sob pressão inicia osteólise adjacente, levando à coalescência das células aéreas da mastóide e formação de cavidades. Este processo explica a gênese da mastoidite, que se traduz clinicamente por abaulamento retroauricular. Ocorre febre e otalgia, menos intensa que no estágio de exsudação, geralmente 7 a 10 dias após o início da OMA. Deve-se instituir antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir gram +, gram - e anaeróbios.

Complicações:
1) Intratemporais: OMC; timpanosclerose; ossiculopatia; mastoidite; abscesso subperiosteal; petrosite; labirintite infecciosa; paralisia facial periférica; perda auditiva e diminuição de resposta as otoemissões.
2) Intracranianas: meningite; empiema subdural; abscesso cerebral; abscesso extradural;
trombose de seio sigmóide; hidrocéfalo ótico ; sepse, choque séptico.

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Antibioticoterapia.
Sintomáticos.
Timpanocentese.
Miringotomia.
Tratamento cirúrgico.
Mastoidectomia simples e outros tipos de mastoidectomia são reservados para os casos em que houver complicações de OMA.

Tratamentos Coadjuvantes
- Os fluidificantes de muco podem ser úteis.
- Os antihistamínicos nestes pacientes tem potencial de espessamento do muco dificultando sua drenagem.
- Gotas otológicas principalmente se houver perfuração MT concomitante. A limpeza de possíveis secreções no conduto auditivo externo devido perfuração MT assim como o uso de compressas mornas podem também ser úteis.

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